Agora vamos ao que realmente interessa: Que safadeza é essa? Uma velhinha japonesa me pega um pincel com tinta coral vermelho báltico, me passa sobre uma tela branca, e chama essa porcaria de arte? Desculpe-me o palavreado, minha senhora, mas isso nada mais é do que uma grande maganice[!]. Onde já se viu dizer que essa... Essa... Essa coisa! é arte?
O pior de tudo isso é que ela tem uma "justificativa" pra tentar fazer de todos nós, mais apedeutas do que já somos: "Agora tem muito... Arte contemporânea. Todo mundo fala muito, né? Mas isso não me preocupo não. Eu queria fazer meu arte, né?" (http://tvuol.uol.com.br/metropolis/2006/11/24/ult3850u480.jhtm)
Mas pode ter certeza de que eu acredito que ela não se preocupa muito. Aí você pode dizer que cada um tem seu gosto, que existe um modo diferente de ver as coisas, e que se olharmos a sete passos de distância a perspectiva diferente fará a obra por si só. Pois eu, se fosse você, ficaria a sete quilômetros de distância de mim quando fosse falar isso, pra não tomar uns bons tabefes.
A questão não é apenas chamar essas pinturas rupestres (por favor, peço mil desculpas pela infeliz comparação, homens de cro-magnon, neanderthal, e australopitecus!) de arte, mas sim comercializar essa enganação! Ah, você acha que ela não vende isso por um bom preço? Vamos confirmar num leilão de arte? Olha lá então: http://www.escritoriodearte.com/leilao/2006/agosto/Tomie-Ohtake-124.asp
É! Esse borrão vermelho, igual ao que eu fiz na parede do meu quarto aos cinco anos com tinta guache e tomei uma bolachas por ele, custa tudo isso (ah! se minha mãe soubesse, estávamos noutra)!
Quer saber, não devia estar reclamando. Pelo contrário, ela está certa, e eu estou errado. Vou entrar pro ramo da arte, porque estudar Direito não leva a lugar algum. Estudar feito um louco pra passar em um concurso e ganar mais de R$10.000 por mês? Estou louco! Mudei minhas pretensões agora mesmo.
Falando nisso, eu estou atuando como empresário um rapaz muito talentoso, que será o grande nome do abstracionismo informal desta década, com certeza. Ele é conhecido por R.Mahs, e exporá suas obras no MASP no mês que vem. Parte de suas obras estão separadas para leilão, incluindo esta peça ao lado que leva o nome de Meu próprio auto-retrato pessoal. Interessados, entrem em contato comigo. Lance inicial: R$17.100,00
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[!] falta de decoro, de respeito; vileza, indecência.



